O peixe, o recorde e as histórias: Nokia N8

O peixe, o recorde e as histórias: Nokia N8

A história é, usando as palavras dos realizadores:

“Homem pesca peixe. Homem se torna isca de peixe maior. Homem é engolido por peixe maior. Homem inicia uma reação em cadeia e eventualmente é expelido do peixe maior.” Simples assim.

Não é a história mais sofisticada do mundo. Também não é lá a mais profunda, a mais significativa, a mais comovente, a mais engraçada. Nem precisaria ser.

Mas era possível ser a MAIS algo. A animação GULP é a MAIOR. Mais especificamente, a animação em stop motion com o maior set: as areias de uma praia no País de Gales. Chegou a quebrar o recorde mundial, com uma área de 3,3 km quadrados.

DOT, outro filme, dos mesmos realizadores, quebrou anteriormente um recorde inverso: a menor personagem em um filme stop-motion. Dot, a personagem título, tem 9 mm.

Ambos os filmes são em HD, e feitos a partir de fotos tiradas com a câmera de um celular Nokia N8. A maioria do que foi escrito sobre eles continuou com informações sobre o aparelho: 12 mega pixels e lentes Carl Zeiss. E é claro que esse foi um dos objetivos da ação, gerar awareness para os atributos do produto.

A história de DOT é um pouco mais profunda, significativa e comovente que GULP, por uma série de motivos. Enquanto ele vai se deixando levar por uma sequência de acontecimentos, ela vê seu micro-mundo se deteriorar, tendo que fugir e eventualmente lutar com unhas, dentes e alfinetes para salvar sua própria vida. Ela é uma protagonista de fato, já que age e está disposta a chegar ao limite, apesar de não ser confrontada com grandes dilemas.

A impressão inicial é a de que a marca está fazendo conteúdo sem chamar atenção para si e para o seu produto, mostrando-o apenas discretamente no final. Mas, na verdade, a coadjuvante é a narrativa, já que aqui era interessante que as histórias fossem mágicas, porém simples, e que chamassem atenção não pelos personagens e pela trama, mas pela técnica e pela tecnologia por trás. Very clever.

Dessa forma, a história sendo contada por trás dessas realizações é a história da marca. A Nokia, com a Wieden + Kennedy Londres (além do estúdio de animação Aardman), inovou as técnicas (e as escalas) da animação para tangibilizar o conceito “It’s not technology, it’s what you do with it”.

E, no final das contas, a história da marca coloca o usuário como protagonista: não é a tecnologia, é o que VOCÊ faz com ela. O spot de TV ainda terminava perguntando: “Nokia N8…. What will YOU do with it?”.

Desde que você seja inovador, inventivo, ousado e criativo o bastante para tirar vantagem (e comprar) o aparelho.

Bom conceito, ótimo uso do storytelling (por estar alinhado com os objetivos da marca) e, é claro, perfeita implementação.

Mesmo com tantos pontos positivos, fazer da narrativa mera coadjuvante faz com que os atributos do produto estejam sendo comentados pelo mundo. Mas será que ajudou a construir a percepção da marca?

22/08/2011Entretenimento, Propaganda, TecnologiaBarbara Rodrigues

A história é, usando as palavras dos realizadores: “Homem pesca peixe. Homem se torna isca de peixe maior. Homem é engolido por peixe maior. Homem inicia uma reação em cadeia e eventualmente[...]



2 __("commentsccomentários")


1. Ramon Marlet disse: 29/08/11 às 14h44

Como seria bom se todas as marcas divulgassem seus principais atributos por meio de narrativas envolventes como estas. Acredito que isso contribui fortemente na construção da percepção das marcas. Pelo menos acho que tem muito mais impacto do que se eles estivessem feito um filme com um fundo preto mostrando o aparelho em primeiro plano e dizendo: “Olha, nós temos lentes Carl Zeiss…”. As lembranças das boas histórias ficam latentes na nossa mente, inclusive na hora do consumo.


2. Ilza Galvão disse: 18/02/12 às 11h14

A criatividade, inventividade… leva-nos, consumidores, a associar a marca com nossas histórias de vida, ou nossas histórias de vida com a marca; há, nessas narrativas uma verdadeira simbiose: vida, história e memória.


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