Cabelos brancos são a fibra ótica mais valiosa que existe ou a “Banalização do Mérito”
Esse texto é uma homenagem a cinco caras com quem aprendi muito nesses quatro anos: Orlando Lopes, Walter Longo, Paulo Camossa, Henry Jenkins e Brian Elliot (CEO da Amsterdam Worldwide).
Teria outras homenagens femininas mas elas me matam se eu falar de cabelos brancos perto delas.
Montei minha empresa há quase três anos. E ela trabalha, de acordo com as pessoas, com coisas bem avançadas, à frente do tempo, “cool” para muitos, e super “pra frentex” para outros. E graças ao universo e ao time incrível que tenho, conseguimos construir uma marca respeitada no Brasil e no mundo e estamos fazendo os projetos dos sonhos. Falando no TED e ajudando a construir o futuro do entretenimento aqui e lá fora. Fazendo mudança.
Mas infelizmente eu e minha empresa vivemos na “Era da Banalização do Mérito”. Esse caminho – espero eu que seja com volta – que a minha geração de profissionais insiste em bater no peito e dizer que faz parte. A geração que só fala das pingas mas não quer nem tomar tombo.
Uma geração que acha que o mundo digital veio para salvar marcas e curar o câncer. Que acha que você vira Vp de qualquer coisa em dois anos. Que ter salário alto é uma questão só de pedir e “ter potencial”. Que fazer ideias 2.0 e um business plan em excel te garantem um IPO e aquele Iate que você viu na Revista Alpha.
Não, colega. Dá muito trabalho fazer as coisas acontecerem. E antes daquele IPO você precisa acumular cicatrizes suficientes para ai, quem sabe, ralar bastante e mesmo assim contar com sorte e circunstância para ir em frente.
Tenho feito reuniões no mundo inteiro com gente de todas as hierarquias possíveis. De todas as idades possíveis. E a divisão é clara. Os “fodões digitais” e os “atrasados analógicos”, ouvi certa vez de um super-mega-blaster diretor de criação online brasileiro falando. E, segundo ele, os analógicos serão atropelados. “O mundo digital será o meteoro que matará os dinossauros dessa vez”. E o pior é que para essa galera taguear de dinossauro, ter mais de 40 já basta.
Mas tem uma charada que ninguém da minha geração consegue me responder.
Esse cara, o tal analógico, leu em papel pelo menos uns 60 livros até a página 200. E o digital lê 60 tabs/abas por dia, até o segundo parágrafo ou o minuto 3:00 do video (porque algum cool hunter disse para ele que esse é o maximo que um video online merece de atenção).
A charada é: Quem vence no final? A consistência profunda ou a superficialidade multi acelarada?
Ano passado no MIT, numa reunião, escutei que um novo tipo de fibra ótica permitiria ter uma internet de gazillions mega bites nos próximos 10 anos. Algo do tipo.
E o que defendo aqui é que cabelos brancos são essa fibra ótica. Eles nos colocam nesse patamar. E a gente tem desrespeitado esse fator na hora de inovar no Brasil.
Na primeira bolha da internet – a segunda já já chega se continuarmos banalizando o mérito – eu tinha 21 anos de idade. A pessoa mais arrogante que eu já vi na minha vida. Aí, a bolha estourou e junto com ela, cicatrizes e hemorróidas profissionais vieram junto. Comecei aí a aprender o poder do cabelo branco na nossa vida. Parece música mela cueca dos Titãs, mas devia ter escutado mais os cabelos brancos.
Se na hora de contar a quantidade de cabelos brancos no organograma do time interno e de conselheiros formais e informais da sua empresa, você perceber que tá ficando escuro demais, pare tudo. Ou cinza ou branco, por favor. Pode ser uma mecha só para começar.
Pois essa é a fibra ótica mais poderosa e veloz que QUALQUER angel capital, venture capital ou espuma capital pode lhe dar.
Ela vem com: erros e acertos, cases de sucesso, histórias reais de gerenciamento de crise e roubadas, sabedoria baseada em repertório e experiência, uma intuição incomparável e last but not least, MATURIDADE.
Meu avô materno, Nelson Rodrigues, numa antológica entrevista a Otto Lara Rezende falou horas sobre os jovens. As duas frases que sempre me chocam pro bem são:
1) “Aos 18 anos um sujeito não sabe como se diz a uma mulher “Boa noite”. Eu, jovem, era de uma ignorância enciclopédica!”
2) “Jovens: envelheçam!!!!”
Isto posto, queria pedir à minha geração de empreendedores e executivos para tomar duas doses de vergonha na cara, misturada com humildade e comprar tintura de cabelo grisalho e colocá-la na mesa como um lembrete de que cabelos brancos de verdade dão trabalho para ter e valem muito.
Compre aqui ó: http://goo.gl/5Lp4O
Obrigado por todos os Jedis e Yodas que cruzaram a minha vida até hoje. Vocês são essenciais para que a gente construa um futuro incrível nesse país. Na comunicação, na propaganda, na educação e no entretenimento.
Compre já. Ontem.
1/09/2011Diversos, Entretenimento, Inovação, NegóciosMauricio Mota
Esse texto é uma homenagem a cinco caras com quem aprendi muito nesses quatro anos: Orlando Lopes, Walter Longo, Paulo Camossa, Henry Jenkins e Brian Elliot (CEO da Amsterdam Worldwide). Teria outras[...]
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Muito boa sua análise. E o texto então, nem se fale. Você tem a quem sair. E o vídeo da entrevista com su avô eu já assisti duas vezes e é impagável. Do tempo em que entrevistar na TV valia mais pelo conteúdo e não rolava pressão para os “comerciais”. Beijo e parabéns.
Valeu, Maurício! Vindo de um cara talentoso – e jovem como você – esse texto deixa a turma de cabelos brancos envaidecida, pelas verdades e doses de bom senso nele contidas. E sobre livros lidos até a página 60, só me recordo de ter abandonado um: Finnegans Wake, o qual só consegui ir até a página 30!!!!
Abraço
Marilena querida, uma honra a sua leitura e uma delícia o seu comentário sobre programas de entrevista. Perfeito. Espalhe o artigo, quem sabe assim minha geração se salva!
Grande Vargas, você leu! Que bom e que incrível saber tanto sobre sua trajetória hoje em nosso encontro. Um case vivo e ativo do que escrevi no artigo. Cabelos brancos e rédeas na mão, espero poder um dia conversar mais sobre essas histórias e outras. Sobre Finnegans Wake… Eu não consegui nem ir até a 10. Alguns a gente tem que deixar para outra mesmo
.
Abraço
Texto GENIAL! Há muito não leio um texto tão coerente e assertivo ao falar do nosso mercado. Obrigada por me lembrar que, apesar do “mundo fantasioso e equivocado” tão aclamado em blogs e eventos teoricamente relevantes (o quê, não raro me faz sentir vontade de mudar de área), ainda há pessoas sensatas, que se pautam por valores e conhecimentos consistentes e não por “modinhas” e discursos vazios. Sempre que leio algo do ou sobre “The Alchemists”, a paixão, o envolvimento no “problema/desafio” e a certeza do rumo escolhido são tão evidentes que é impossível não se encantar e pensar: “Genial, mais uma vez!”. Essa mescla de fios brancos e negros dá muito certo e vocês provam isso. Parabéns e obrigada por compartilhar em forma de texto essa lição.
Grande Maurício,
trabalho num pomar de frutos da famosa e inquieta e poderosa Geração Y (alguns acho que já posso classificar de Z), para clientes da sofrida Geração X (eu mesmo filho desta) e seu texto poderia ser impresso, enquadrado e pendurado na parede da nossa empresa com o batido título “Nossa Visão” e o subtítulo “Decoremos” ou com a hashtag #Pratiquemos, pra ser mais apropriado aos nossos tempos.
Nossos clientes, a maioria deles do time dos cabelos brancos, agradeceriam.
Grande abraço e obrigado por compartilhar ouro lapidado conosco.
Maurício, conversamos muito pouco nessa vida, mas já gosto mais de você só por causa desse post. Parabéns pela análise brilhante (e grisalha) desses tempos.
Maurício, um texto fiel às vivências contemporâneas. É isso mesmo: ninguém quer falar de cicatrizes e tombos, como se possível fosse amadurecer sem eles… Apesar de entender seus cuidados – não creio que seria criticado se incluísse homenagens femininas. A alma feminina tem latitude para compreender transgressões…
Maurício, sou suspeito quando algum texto referencia o Walter Longo. Tenho por ele uma admiração e uma gratidão profissional muito mais profunda, acredito assim, que tantas outras pessoas que o admiram. Que tiveram a possibilidade de se aproximar com as facilidades da nossa famigerada internet. É muito interessante ver alguém deste mundo, que por vezes me parece tão preto e branco, falando sobre humildade. Para ser sincero, posso contar nos dedos quantas vezes pude ler esta palavra envolta de um tema ligado a propaganda. Bom saber que a gente não está sozinho, na esperança de dias melhores para esta profissão que eu não gostaria de deixar de amar. Obrigado pela experiência… Abraços!
Caros
Sou professor da ESPM-São Paulo, curso Abordagens Contemporâneas da Comunicação Mercadológica, juntamente com a Professora Ana Lucia Fugulin. Gostaria de convidar os profissionais da empresa para uma palestra sobre o conceito de Transmedia Storyttler aplicado à gestão de marca. São cerca de 150 alunos do 6 Semestre de Comunicação, sendo que a maioria já está atuando no mercado, em empresas de grande porte e nos mais variados segmentos.
Caso seja possível, favor entrar em contato.
Obrigado
Paulo Roberto Ache
Uma das pessoas que mais me ensinou a ser inovadora, moderna e a tentar prever o futuro para chegar nele mais habituada completou 80 anos em fevereiro e se chama Alberto Dines. Nenhuma tuitada é comparável às valiosas horas que estava na mesma redação que ele quando era estagiária de seu programa de tv.
Às vezes tenho vergonha de ser de uma geração tão prepotente que se gaba por não trabalhar com ninguém com mais de 35 anos.

