O bi-vô e a bi-neta ou O futuro pertence ao autor e ao fã

O bi-vô e a bi-neta ou O futuro pertence ao autor e ao fã

Esse foi um artigo que escrevi para a Revista Aldeão – revista publicada pela TV Globo e distribuída para todos os seus times e outros públicos de interesse. Na ocasião, me pediram para abrir uma série de entrevistas sobre o futuro. Com gente muito mais importante e senior do que eu, incluindo ídolos e amigos como Henry Jenkins, Grant McCracken e Fabio Gandour da IBM.

Pensei em teorias, em tendências, em elocubrações. Desisti. Resolvi escrever o que sei fazer: pegar minhas histórias, dos meus antepassados misturá-las com a histórias do futuro e falar de coisas reais, e próximas. Para não perder a mão e a missão familiar de aproximar histórias e pessoas cada vez mais. O que pra mim, é a missão também da narrativa transmídia”

Imaginem a linha do tempo de uma história. Numa ponta Nelson Rodrigues, na outra uma menina chamada Pilar, cinco anos de idade.

Pilar, no futuro, é adolescente. E mesmo sendo multiplataforma, usar MSN, celular, e jogar Farmville enquanto lê “Iracema” no Ipad, estará alucinada para assistir ao próximo episódio de seu seriado favorito na TV: que se chamará “Gossip Vampire”, “Vampire High School Musical” ou alguma mistureba das tendências que temos hoje.

No passado, está Nelson Rodrigues, um “serial writer” com todas as histórias de sua mente genial. Tramas amorosas, crônicas esportivas, artigos cotidianos e textos “reacionários”. Tinha lá o teatro, o jornal, o rádio e pegou um pouco da TV para poder colocar tanta história viva. Virou livros, áudio-livros e filmes.

O que ele, que sempre tinha mais e mais histórias pra contar, faria hoje, com tanta nova plataforma para colocar suas tramas?

Corta. Voltemos à Pilar.

Independente de sua grande fluidez com telas, Pilar é apaixonada por histórias. Começou a amá-las pelo ouvido (seus pais contando), pelos olhos (no livro e na TV) e pelo tato (com seus brinquedos). Depois começou a usar o Iphone do pai, e, além dos jogos, adorava clicar na televisãozinha do Youtube. Pra ver Turma da Mônica, Pica-pau, Barbie e todos os outros personagens que ela já amava na televisãozona, onde conheceu essas histórias.

Um dia, segurando o Iphone do pai, fala: “Pai, vamos procurar histórias do bi-vô no Youtube?”. O pai, acostumado a procurar por mônicas e pica-paus, de repente se vê achando algum episódio de “A vida como ela é”. Nada bom.

Digita o nome do avô e graças aos deuses da busca, a primeira tela é uma inofensiva e leve entrevista de Nelson a Otto Lara. Mas abaixo, vídeos mais perigosos revelariam à menina que “bi-vô” contava histórias de amores intensos capazes de matar. Ufa.

Pilar é uma fã de histórias. Em qualquer plataforma. Nelson, um contador de histórias. E as contava aonde pudesse, para seus fãs e seguidores.

Essa é uma história real entre Pilar, minha filha e meu avô, Nelson.

Ela, “transmedia”. Ele, “storytelling”

E é um pedacinho do que está por vir: uma era em que os autores terão mais espaço e caminhos para contar suas histórias. E os fãs, mais conteúdo para absorver e espalhar. Sem limites e com profundidades que antes só havia na imaginação. Com riquezas infindáveis para ambos.

15/02/2011Entretenimento, Inovação, TecnologiaMauricio Mota

Esse foi um artigo que escrevi para a Revista Aldeão – revista publicada pela TV Globo e distribuída para todos os seus times e outros públicos de interesse. Na ocasião, me pediram para abrir[...]



1 __("commentcomentário")


1. Camila Teicher says: 31/03/11 às 16h26

Muito interessante. Através deste exemplo concreto acho que pude entender mais os significados ou os valores desses termos com que ando topando ultimamente. Uma dúvida: há outros posts deste blog? Onde estão?


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